quinta-feira, 20 de agosto de 2009

DST's atingem mais de 10 milhões no Brasil

DST atinge 10,3 milhões de brasileiros


Cerca de 10 milhões de brasileiros já tiveram algum sinal ou sintoma de doenças sexualmente transmissíveis – 6,6 milhões de homens e 3,7 milhões de mulheres. O mais grave é que 18% deles e 11,4% delas não procuraram nenhum tipo de tratamento. Os problemas causados pelas DST podem aumentar em 18 vezes o risco de infecção pelo HIV, que é uma doença ainda sem cura. Os dados inéditos fazem parte da Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade (PCAP – DST, 2008).

Preocupado com essa realidade, o Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (18), a campanha “Muita prazer, sexo sem DST”, voltada principalmente para homens. O objetivo é que a população reconheça os sinais e sintomas (veja quadro abaixo), procure tratamento e alerte o parceiro ou parceira sobre os riscos dessas doenças. Um jingle – gravado por 12 cantores sertanejos, entre eles Daniel e a dupla Chitãozinho e Xororó – funciona como carro-chefe. A música será veiculada em rádios de todo o país.



Também serão distribuídos 1 milhão de folderes, 600 mil adesivos para banheiros, 180 mil cartazes e 60 mil cartões-postais. Uma das novidades da campanha é o hotsite www.aids.gov.br/muitoprazer, que traz informações gerais sobre prevenção e tratamento das DST. Além disso, o internauta pode utilizar cartões virtuais para contar ao parceiro a descoberta da infecção por alguma DST, sem necessidade de se identificar. “Em geral, as pessoas têm muita dificuldade de contar que estão infectadas. As novas tecnologias de comunicação ajudam a enfrentar essas doenças de forma direta e com o mínimo possível de exposição”, acredita Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde.



Automedicação – O levantamento do Ministério da Saúde traz outro dado preocupante: a automedicação. O mau hábito predomina entre os homens. Enquanto 99% das mulheres que procuram tratamento recorrem primeiro a um médico, 1/4 dos homens busca solução no balcão da farmácia. Entre eles, quanto menor a escolaridade, maior é o percentual de quem recorre à prática não recomendada. “As mulheres estão dando um exemplo positivo. A nossa expectativa é que os homens procurem os médicos tanto quanto elas”, diz a diretora.



Em termos regionais, o Norte apresenta o maior percentual (24,6%) de homens que relataram ter tido pelo menos uma DST. Nas outras regiões, esse índice não ultrapassa os 20%. Entre as mulheres, não há diferenças significativas – varia de 11,2% no Sul a 7% no Nordeste. Em relação a raça/cor, o total de homens negros que relataram sinal ou sintoma de DST é maior do que entre os brancos – 19% e 13,8%, respectivamente.



Uma constatação da pesquisa é que os pacientes com indícios de DST nem sempre recebem as orientações adequadas. Apenas 30% dos homens e 31,7% das mulheres tiveram a recomendação de fazer o teste de HIV. A solicitação de exame de sífilis é ainda menor: 24,3% e 22,5%, respectivamente. Cerca de 40% também não são informados sobre a necessidade de usar preservativo e comunicar aos parceiros. “Nesse sentido, a pesquisa nos mostra que os profissionais de saúde devem estar mais atentos na hora de dar orientações durante a consulta”, defende Mariângela.



O tratamento para as DST é simples e está disponível para toda a população no Sistema Único de Saúde (SUS). A maior parte delas tem cura, com exceção do herpes e do HPV.



Fatores associados às DST – O modelo estatístico criado para analisar as informações da pesquisa, permite observar alguns fatores de risco relacionados às doenças sexualmente transmissíveis:



- Homens têm 31,2% mais chance de ter algum sinal ou sintoma de DST alguma vez na vida do que mulheres.



- Relação sexual com parceiro do mesmo sexo mais do que dobra a probabilidade de ter algum sinal relacionado à DST, na vida.



- Indivíduos que já tiveram mais de 10 parceiros na vida têm chance 65% maior de ter um antecedente relacionado à DST.



Metodologia – A Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos foi realizada por técnicos do Ibope em todas as regiões do país em novembro de 2008, com 8 mil entrevistados. A amostragem foi estratificada por macrorregião geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e situação urbano/rural. A análise dos dados foi feita pela equipe técnica do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, com o apoio do Centro de Informação Científica e Tecnológica (LIS/CICT) da Fundação Oswaldo Cruz.



DST
Sinais e sintomas
Consequências do não tratamento

Gonorréia
Ardor ao urinar, coceira, corrimento uretral espesso e amarelado.

Na mulher pode apresentar

corrimento ou ser assintomático
No homem: esterilidade

Na mulher: doença inflamatória pélvica e infertilidade

Sífilis
Cancro duro – ferida única indolor, sem pus que desaparece em pouco tempo.



Lesões avermelhadas na pele, principalmente na palma das mãos, planta dos pés e dorso.
Na fase tardia pode evoluir com lesões neurológicas, ósseas e cardiovasculares, caracterizando neurossífilis.



Na gestante pode evoluir para a transmissão vertical se não houver tratamento conjunto da mãe e do parceiro, levando o recém-nascido à sífilis congênita.



Herpes simples

genital
Ardor, coceira, dor, bolhas e depois feridas
Infecção no sistema nervoso (meningite/encefalite)

Tricomoníase (corrimento)
Corrimento amarelo esverdeado, com bolha, odor desagradável, ardência na relação sexual (às vezes acompanha coceira na vulva)
No homem: inflamação na próstata e no epidídimo



Na mulher: doença inflamatória pélvica



Clamidia (uretrite não gonocócica, cervicite, doença inflamatória pélvica)
Geralmente assintomática, pode apresentar corrimento de cor clara e mucóide (parece uma clara de ovo), raramente purulenta
No homem: esterilidade



Na mulher: doença inflamatória pélvica e infertilidade

HPV (crista de galo, condiloma acuminado, figueira, verrugas, ficus e thymus)
Os sintomas podem não se manifestar. Nos homens, quando aparecem, apresentam-se na forma de pequenas verrugas no pênis, ânus e boca. As mulheres podem não perceber as verrugas na região interna da vagina e colo do útero, mas os sinais podem aparecer também na vulva, vagina, períneo, ânus e boca.
Dependendo do subtipo de HPV, pode ocorrer no homem câncer de pênis e ânus



Na mulher: câncer de colo uterino, de vulva e ânus




Outras informações

Atendimento à imprensa

Departamento de DST e Aids

(61) 3306 7051/ 7033/ 7010/ 7016/ 9221-2546

E-mail: imprensa@aids.gov.br

Site: www.aids.gov.br

Atendimento ao cidadão

0800 61 1997 e (61) 3315 2425

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Grata por sua contribuição.