Décima segunda indicação de filme, este documentário Estamira trata da condição das mulheres negras no Brasil.
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Este
premiadíssimo documentário registra a vida de Dona Estamira, uma mulher
já idosa que sobrevive catando lixo e que é descrita como louca por
seus familiares, por entre outras coisas rejeitar a figura masculina de
Deus. Porém dona de uma lucidez extrema, ela levanta profundos
questionamentos sobre comportamentos socialemente aceitos no senso
comum, como o uso da medicalização em pessoas que causam transtorno
social ou a sobre as diferenças biologicistas entre os sexos.
Comentário feminista: Este
é provavelmente um dos melhores e mais contundentes documentários
brasileiros de todos os tempos. Com uma apresentação da personagem
narrada de “forma progressiva”, o filme mostra o nível
de “desumanização” que um ser humano/mulher pode agüentar e o quanto a
poderosa presença do patriarcado (dentro de sua família) pode destruir,
ainda mais quando aliada a violência institucional das estruturas
estatais. Aqui cada frase de Dona Estamira pode ser considerada um
brado contra o sistema patriarcal ou render uma tese de mestrado
feminista. Destacam-se as cenas em que a Dona Estamira questiona
e estabelece paralelos sobre cromossomos “Xx” (par) e “Xy” (ímpar), o
poder natural da gestação e a manipulação religiosa, como instância
afirmadora do poder familiar masculino. Indicado para toda e qualquer
pessoa lúcida, sem qualquer "trocadilho". Vejam o trailer:
A Cor Púrpura (en: The Color Purple), é um filmeestadunidense de 1985, do gênero drama, dirigido por Steven Spielberg e baseado no romance epistolar da premiada escritora afro-americanaAlice Walker, que trata de questões de discriminação racial e sexual e conta a história Celie que aos 14 anos é violentada pelo
pai, se torna mãe de duas crianças. Separada dos filhos e da única
pessoa no mundo que a ama, sua irmã, ela é doada a "Mister" um violento
homem que a despreza.
Sinopse
Georgia,
1909. Em uma pequena cidade Celie (Whoopi Goldberg), uma jovem com
apenas 14 anos que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas
crianças. Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é
separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é
doada a "Mister" (Danny Glover), que a trata simultaneamente como
escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister provêm por
alimentar uma forte paixão por Shug Avery (Margaret Avery), uma sensual
cantora de blues. Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza
em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a
ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua
Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia
(Oprah Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister,
entram na sua vida, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando
consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece.
Comentário feminista: este
filme é um doloroso retrato do racismo (tanto dentro do roteiro quanto
na academia de cinema americano). Obra prima do cinema, indicado ao
recorde de estatuetas do Oscar, não ganhou nenhuma, pois nesta época
ainda não vivíamos tempos “politicamente corretos”. Também foi o filme
de estréia da atriz Whoopi Goldberg, que devido ao “fracasso na
cerimônia”, teve que rumar sua carreira para papeis mais amenos para os
padrões brancos de Hollywood. O filme é interessantíssimo, pois pode
estabelecer um palpável paralelo entre a condição atual dos negros nos
EUA e no Brasil, já enquanto no norte da América, os negros receberam
terras no fim do processo de escravidão, aqui na terra brasilis, estes
foram lançados as ruas, sem a menor condição de sobrevivencia (tanto
que ainda vivemos com as consequências da miséria econômica a que a
comunidade negra foi lançada). Entre as cenas de destaque ficamos com os
dois momentos em que a personagem da apresentadora Oprah Winfrey
sucumbe e supera a violência doméstica sofrida ao longo do filme.
Indicado para qualquer pessoa que deseje desenvolver sua consciência
negra, nos termos de expostos por Steve Biko. Vejam um trecho:
Comentário: Um filme que trata de maneira
precisa temas tão complicados como racismo, violência, abuso sexual, incesto, relacionamentos humanos. “A Cor Púrpura” é considerado uma obra importante para a
compreensão da condição das mulheres negras e pobres no início do século
XX. O romance trata, também, da homossexualidade feminina. Entretanto, o
filme de Spielberg foi criticado por movimentos afro-americanos,
feministas e homossexuais por não conseguir reproduzir na tela a
profundidade das questões levantadas no livro. Estas críticas são
apontadas como o provável motivo de o filme ter recebido 11 indicações
para o Oscar (incluindo melhor filme, melhor atriz para Whoopi Goldeberg
e melhor atriz coadjuvante para Margaret Avery e Oprah Winfrey) mas não
ter recebido nenhum. Fonte: Maças podres
Quinta indicação para estudos: O filme Preciosa conta a história de uma adolescente de 16 anos e as privações que ela enfrenta durante sua juventude, onde o único recurso que ela tem em mãos para amenizar a sua situação é a ilusão do sucesso vendido nas revistas.
Claireece Jones Precious sofre privações inimagináveis em sua juventude. Abusada pela mãe, violentada por seu pai, ela cresce pobre, irritada, analfabeta, gorda, sem amor e geralmente passa despercebida. A melhor maneira de saber sobre ela são suas próprias falas: "Às vezes eu desejo que não estivesse viva. Mas eu não sei como morrer. Não há nenhum botão para desligar. Não importa o quão ruim eu me sinta, meu coração não para de bater e meus olhos se abrem pela manhã. Uma história intensa de adversidade e esperança.
Comentário feminista: Um dos filmes mais dramáticos dos últimos tempos a abordar a questão das mulheres negras em seu estado de vulnerabilidade social, desde as questões de padrão de beleza, passando pela violência sexual produzida pela hiperobjetivação do corpo feminino como propriedae masculina, o filme demonstra o quanto são reduzidas as perspectivas de vida de uma jovem negra de periferia e a delicada questão que as mulheres negras (e pobres) enfrentam na manutenção de seus relacionamentos afetivos com homens igualmente desprovidos de perspectivas sociais. Extremamente realista este filme é indicado a qualquer feminista que deseje adentrar nas questões do feminismo negro que sentenciaram o quanto diferente ser “uma mulher” e ser “uma mulher negra” (algo muito similar a realidade da maioria das mulheres brasileiras). Veja o trailer: