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sábado, 24 de dezembro de 2011

Estamira (condição das mulheres negras no Brasil)

Décima segunda indicação de filme, este documentário  Estamira trata da condição das mulheres negras no Brasil.

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Este premiadíssimo documentário registra a vida de Dona Estamira, uma mulher já idosa que sobrevive catando lixo e que é descrita como louca por seus familiares, por entre outras coisas rejeitar a figura masculina de Deus. Porém dona de uma lucidez extrema, ela levanta profundos questionamentos sobre comportamentos socialemente aceitos no senso comum, como o uso da medicalização em pessoas que causam transtorno social ou a sobre as diferenças biologicistas entre os sexos. 
 
Comentário feminista: Este é provavelmente um dos melhores e mais contundentes documentários brasileiros de todos os tempos. Com uma apresentação da personagem narrada de “forma progressiva”, o filme mostra o nível de “desumanização” que um ser humano/mulher pode agüentar e o quanto a poderosa presença do patriarcado (dentro de sua família) pode destruir, ainda mais quando aliada a violência institucional das estruturas estatais. Aqui cada frase de Dona Estamira pode ser considerada um brado contra o sistema patriarcal ou render uma tese de mestrado feminista. Destacam-se as cenas em que a Dona Estamira questiona e estabelece paralelos sobre cromossomos “Xx” (par) e “Xy” (ímpar), o poder natural da gestação e a manipulação religiosa, como instância afirmadora do poder familiar masculino. Indicado para toda e qualquer pessoa lúcida, sem qualquer "trocadilho". Vejam o trailer: 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A cor púrpura (condição da mulher negra e masculinidade dos homens negros) 

Décima indicação filme A cor púrpura fala sobre a condição da mulher negra e masculinidade dos homens negros
 A Cor Púrpura (en: The Color Purple), é um filme estadunidense de 1985, do gênero drama, dirigido por Steven Spielberg e baseado no romance epistolar da premiada escritora afro-americana Alice Walker, que trata de questões de discriminação racial e sexual e conta a história Celie que aos 14 anos é violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. Separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, ela é doada a "Mister" um violento homem que a despreza. 

Sinopse

Georgia, 1909. Em uma pequena cidade Celie (Whoopi Goldberg), uma jovem com apenas 14 anos que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a "Mister" (Danny Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister provêm por alimentar uma forte paixão por Shug Avery (Margaret Avery), uma sensual cantora de blues. Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia (Oprah Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister, entram na sua vida, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece.


Comentário feminista: este filme é um doloroso retrato do racismo (tanto dentro do roteiro quanto na academia de cinema americano). Obra prima do cinema, indicado ao recorde de estatuetas do Oscar, não ganhou nenhuma, pois nesta época ainda não vivíamos tempos “politicamente corretos”. Também foi o filme de estréia da atriz Whoopi Goldberg, que devido ao “fracasso na cerimônia”, teve que rumar sua carreira para papeis mais amenos  para os padrões brancos de Hollywood. O filme é interessantíssimo, pois pode estabelecer um palpável paralelo entre a condição atual dos negros nos EUA e no Brasil, já enquanto no norte da América, os negros receberam terras no fim do processo de escravidão, aqui na terra brasilis, estes foram lançados as ruas, sem a menor condição de sobrevivencia (tanto que ainda vivemos com as consequências da miséria econômica a que a comunidade negra foi lançada). Entre as cenas de destaque ficamos com os dois momentos em que a personagem da apresentadora Oprah Winfrey sucumbe e supera a violência doméstica sofrida ao longo do filme. Indicado para qualquer pessoa que deseje desenvolver sua consciência negra, nos termos de expostos por Steve Biko. Vejam um trecho:



Comentário:  Um filme que trata de maneira precisa temas tão complicados como racismo, violência, abuso sexual, incesto, relacionamentos humanos. “A Cor Púrpura” é  considerado uma obra importante para a compreensão da condição das mulheres negras e pobres no início do século XX. O romance trata, também, da homossexualidade feminina. Entretanto, o filme de Spielberg foi criticado por movimentos afro-americanos, feministas e homossexuais por não conseguir reproduzir na tela a profundidade das questões levantadas no livro. Estas críticas são apontadas como o provável motivo de o filme ter recebido 11 indicações para o Oscar (incluindo melhor filme, melhor atriz para Whoopi Goldeberg e melhor atriz coadjuvante para Margaret Avery e Oprah Winfrey) mas não ter recebido nenhum.
Fonte: Maças podres


domingo, 18 de dezembro de 2011

Preciosa (feminismo negro)

   Preciosa (feminismo negro)
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Quinta indicação para estudos: O filme Preciosa  conta a história de uma adolescente de 16 anos e as privações que ela enfrenta durante sua juventude, onde o único recurso que ela tem em mãos para amenizar a sua situação é a ilusão do sucesso vendido nas revistas.  

 Claireece Jones Precious sofre privações inimagináveis em sua juventude. Abusada pela mãe, violentada por seu pai, ela cresce pobre, irritada, analfabeta, gorda, sem amor e geralmente passa despercebida. A melhor maneira de saber sobre ela são suas próprias falas: "Às vezes eu desejo que não estivesse viva. Mas eu não sei como morrer. Não há nenhum botão para desligar. Não importa o quão ruim eu me sinta, meu coração não para de bater e meus olhos se abrem pela manhã. Uma história intensa de adversidade e esperança.
 
Comentário feminista: Um dos filmes mais dramáticos dos últimos tempos a abordar a questão das mulheres negras em seu estado de vulnerabilidade social, desde as questões de padrão de beleza, passando pela violência sexual produzida pela hiperobjetivação do corpo feminino como propriedae masculina, o filme demonstra o quanto são reduzidas as perspectivas de vida de uma jovem negra de periferia e a delicada questão que as mulheres negras (e pobres) enfrentam na manutenção de seus relacionamentos afetivos com homens igualmente desprovidos de perspectivas sociais. Extremamente realista este filme é indicado a qualquer feminista que deseje adentrar nas questões do feminismo negro que sentenciaram o quanto diferente ser “uma mulher” e ser “uma mulher negra” (algo muito similar a realidade da maioria das mulheres brasileiras). Veja o trailer:


Fonte: Maças Podres