terça-feira, 14 de abril de 2009
Pesquisa Instituto Avon/Ibope sobre violência contra as mulheres
14/04/2009 - 14:26
A pesquisa tem foco nas percepções da sociedade brasileira sobre o fenômeno da violência de gênero
A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, e o presidente da Avon Brasil, Luis Felipe Miranda, participam hoje de coletiva de imprensa sobre a Pesquisa Instituto Avon/Ibope – Percepções Sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil. O encontro acontece às 10h, no Festivo, no bairro de Pinheiros, São Paulo, e também conta com as presenças de Fátima Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão, Lírio Cipriani, diretor executivo do Instituto Avon, e Kátia Gianone, diretora de Comunicação da Avon.
A pesquisa foi realizada em âmbito nacional de 13 a 17 de fevereiro último, em cidades com mais de 20 mil habitantes e capitais. Trata-se de amplo estudo quantitativo sobre as percepções e reações da sociedade sobre a violência contra a mulher.
sábado, 11 de abril de 2009
Por dentro dos projetos
| O Projeto Direito à Saúde da Mulher Negra também acaba de lançar seu website, que conta com um amplo banco de dados com artigos acadêmicos, dissertações e textos de legislação nacional e internacional sobre saúde e gênero. Não deixe de conhecer - www.saudemulhernegra.org.br. |
Centro de Direito a Saúde da Mulher Negra
Projeto Direito à Saúde da Mulher Negra inaugura Centro de Direitos
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(PROGRAMA DE JUSTIÇA)
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No último dia 14 de março, foi inaugurado o Centro de Direitos do Projeto Direito à Saúde da Mulher Negra, no bairro de São Mateus, em São Paulo.
Esse evento marca o início da terceira fase do projeto, implantado desde 2007 com o objetivo de criar um modelo de monitoramento da implementação das políticas públicas de saúde, bem como dos próprios serviços. O Projeto, desenvolvido pela Conectas Direitos Humanos em parceria com o Gelédes - Instituto da Mulher Negra, conta com o apoio da União Européia.A criação desse espaço, que fica em frente ao maior hospital público da região, tem três objetivos principais: receber e encaminhar denúncias de discriminação racial, dar continuidade à formação e capacitação das lideranças negras da região e sensibilizar os funcionários da área de saúde para a questão. O Centro funcionará em horário comercial, às quartas, quintas e sextas - feiras. Os dois primeiros dias são destinados ao recebimento de denúncias de discriminação racial. Por isso, uma promotora legal popular estará de plantão no Centro para conversar com as mulheres e ajudar no encaminhamento das denúncias.
As sextas serão dedicadas a cursos e atividades culturais, como aulas, palestras, oficinas, debates, exposições, filmes, espetáculos de dança e performances artísticas. A proposta é desenvolver meses temáticos, nos quais serão abordadas as temáticas centrais do projeto: raça, saúde e gênero, sempre sob a perspectiva de direitos humanos.A abertura do Centro em outros dias e horários ainda está em estudo. O endereço é Rua Ângelo de Cândia, n° 415, em São Mateus.
Aborto Legal X Planos de Saúde
O projeto de lei que obriga os planos e seguros de saúde a cobrir procedimentos de planejamento familiar passou pelo Senado, ainda deve ser sancionado pelo presidente, mas já traz uma série de questionamentos.Leia Mais no Site CCR
sexta-feira, 13 de março de 2009
A águia que vira galinha
A águia que vira galinha
Antônio Inácio Andrioli
“A idéia desta história não é minha. Meu é só o jeito de contar. Sobre uma águia que foi criada num galinheiro e foi aprendendo sobre o jeito galináceo de ser, de botar ovos, de ciscar a terra, de comer milho, de dormir em poleiros. E como todo aprendizado exige um esquecimento, ela desaprendeu o vôo nas alturas, o ar puro da montanha, a vista se perdendo no horizonte, o doce sentimento de liberdade... E como ninguém lhe falasse sobre estas coisas e todas as galinhas cacarejassem os mesmos catecismos, ela acabou por acreditar que não passava de uma galinha com perturbação hormonal. Tudo grande demais. Aquele bico curvo, sinal certo de acromegalia e desejava muito que o seu cocô tivesse o mesmo cheiro certo do cocô das galinhas. Um dia passou por lá um homem que vivera nas montanhas e viu o vôo orgulhoso das águias. – O que faz você aqui? Ele perguntou: – Este é o meu lugar, ela respondeu. Todo o mundo sabe que galinhas vivem em galinheiros, ciscam o chão, botam ovos e finalmente viram canja. Nada se perde, tudo se transforma, utilidade total. – Mas você não é galinha, ele disse. É uma águia! – De jeito nenhum. Eu nem sequer voar sei. Pra dizer a verdade, nem quero. A altura me dá vertigem. É mais seguro ir andando passo a passo.E não houve argumento que mudasse a cabeça da águia esquecida. Até que o homem não mais agüentando aquela coisa triste de uma águia transformada em galinha, agarrou a águia à força e a levou até o alto de uma montanha, atirando-a bruscamente lá de cima do abismo. A pobre água começou a cacarejar de terror, voando rasteira em bruscos zig-zags. Mas depois, pouco a pouco, com tranqüila dignidade, esticou o pescoço para cima e para frente e começou a plainar bela, confiante e cada vez mais alto, até fundir-se no azul do firmamento. Aí ela compreendeu enfim que seu nome não era galinha, mas águia. Esta história foi escrita na África, um profeta dizendo aos seus seguidores: – Vejam a que estado os brancos nos reduziram, águias que andam como galinhas. É preciso aprender a voar de novo” (Rubem Alves).
Diferente de tantas outras versões reescritas para essa lenda, parte-se aqui de uma constatação histórica: inúmeras águias viraram galinha depois que passaram a dedicar-se inteiramente ao seu instinto reprodutivo, esquecendo-se de voar mais alto. O mais impressionante não é a constatação; mais forte parece a previsão fatal feita pelas galinhas para as águias de que não haveria outro destino mais nobre para elas do que se dedicarem a chocar ovos, ver seus filhos nascerem e contentarem-se com a idéia de que a maior contribuição que podem dar ao mundo, enquanto estão vivas, é preparar as águias pequenas a seguir o que suas mães, avós, bisavós e todas as gerações antepassadas previam: águia nasceu para ser galinha e seu instinto natural de procriar se sobrepõe ao seu desejo de voar. O tempo lhes daria razão, afinal, são tantas as histórias de águias que voaram alto na juventude e deixaram seus vôos relatados e escritos, para servirem de substrato para nostalgias presentes e futuras. O que importa, entretanto, é que já não são mais águias e que toda águia que se casa com um galo, tendencialmente, se transforma em galinha. Em seus inúmeros momentos de justificação, os relatos da transformação chegam a ser dogmáticos e apelativos: não se trataria de uma opção da águia, seria seu instinto que a levaria a ser galinha. Sua dedicação em influenciar as águias pequenas, entretanto, nega sua convicção naturalizada. Afinal, se é por instinto que a transformação acontece, por que, então, tanto esforço para convencer as águias? Por que tantos rituais? Por que tantas recomendações e, principalmente, por que tanto engajamento em prol da legitimação ideológica de algo que já por si estaria dado e, se ainda nao fosse o caso, seria mera questão de tempo? Mais absurda parece a condenação ao inferno das poucas águias que insistem em voar alto, mesmo depois de velhas e, pasmem, algumas delas mesmo depois de terem chocado seus ovos e cumprido a suposta fatalidade de reproduzir galinhas! Por que a presença dessa minoria de águias, que ainda vôam, incomoda tanto as galinhas, ocupadas em chocar ovos e transmitir suas regras de incubação às demais? Parece que as águias continuam desafiando as galinhas, quando estas já passaram do tempo de virar galinhas, resistindo à domesticação, ao trabalho exclusivo do lar ou, pior ainda, quando depois de terem experimentado a sua fase chocadeira ainda não desaprenderam a voar, nem esqueceram seu desejo de subir para além das montanhas. Nessa hora, as galinhas parecem, elas mesmas, terem esquecido suas dogmáticas lições relativas ao destino das águias, do seu instinto natural em reproduzir. Passam a atacar as águias, moralizando e condenando-as, não escondendo o seu profundo sentimento de indignação com o comportamento desviante da minoria que parece mais uma ameaça: e se as águias não fossem mais uma minoria e sua existência influenciasse as demais a ponto de não haver mais galinhas? “Que horrível seria o mundo sem chocadeiras” reclamam elas. “Como são egoístas as águias, pensando apenas em si, ao invés de seguirem sua vocação natural de procriarem como galinhas?” Mas, será que não seria mais lógico o contrário, a versão das águias: “o maior egoísmo é o das galinhas que, em seu pretenso discurso de solidariedade com o mundo, apenas procuram esconder seu desejo de garantir que haja herdeiros para os bens acumulados pelos galos?” As galinhas chegam a afirmar que com seus catecismos contribuem para a humanização. Esquecem-se, no entanto, que a humanização é fruto de relações sociais mais humanas e não da aplicação dos princípios da reprodução. E se as relações sociais entre águias permitissem uma maior humanização do que o cotidiano das galinhas chocadeiras? Nesse caso, as galinhas deveriam se arrepender do tempo em que ficaram presas aos seus ninhos e poderiam tentar, ao menos em seu pouco tempo de vida ainda restante, reaprender a voar e reproduzir-se como águias. Essa idéia assusta, incomoda e atordoa. Mais fácil parece ser a inquisição das águias, a condenação das que voam e a fuga da tentação de negarem a si mesmas e a sua tradição chocadeira. Em tempos modernos, as águias continuam existindo e parecem ter aumentado. As galinhas, acostumadas aos seus cacarejos, parecem cada vez mais indignadas: o seu apelo ao instinto e à naturalização das galinhas, assim como sua devoção às chocadeiras começaram a ser abaladas. E, diferente das outras histórias sobre águias e galinhas, são as galinhas que começam a perceber que o seu tempo já passou… http://www.espacoacademico.
Feminismo de D. Mone Querbemvoar
A grande faceta do 8 de março consiste no reconhecimento e exaltação de todas as lutas e conquistas políticas, econômicas e comunitárias protagonizadas pelas mulheres no cenário internacional. Sua simbologia no calendário ratifica as inúmeras potencialidades desta categoria humana a qual o patriarcado racista, capitalista, confessional e lesbofóbico se empenha a invisibilizar.
Deste modo, “obsclarecem” as opressões destinadas às Rosas encarceradas na Penitenciária Feminina sofrendo o crime de racismo institucional expresso pelo abandono familiar, pela esterilização, hipertensão, diabetes, outrora, também manifestadas por meio de abusos sexuais e seletividade racial neste espaço onde negras e não-negras estão em condição de desigualdade haja vista que, segundo o Estado Penal, esta população não é “flor que se cheire”.
Esta ideologia colonialista e patriarcal é arrogante ao feminismo de mulheres que se parecem socialmente com Dona Joana, que acorda às 3h da manhã para vender na Feira de São Joaquim e, quando seu marido vem colocar banca, ela diz com honra: “comigo homem, você tem que mijar abaixado porque quem manda no meu barraco sou eu”.
A resistência feminina em oposição ao androcentrismo também está flagrada no momento em que a lágrima de Dona Amélia demora a cair ao refletir que neste seu momento de invalidez produtiva e de enfermidade irreversível, o tal marido descobriu que não era ela, a mulher que ele pediu a Deus. Em direção ao sagrado habitam também os pecados praticados pela Igreja e pelo seu guardião, o Estado Brasileiro, ao oportunizar que jovens pobres morram em conseqüência do aborto ilegal e desumanizado decorrente da negação dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres brasileiras.
Não obstante, em outra geração, as lágrimas das mulheres de comunidades vulnerabilizadas se confundem com as chuvas trazidas pela mãe Yansã que, igualmente, chora seus filhos mortos pelos grupos de extermínio, assassinados pela polícia e pelas clínicas clandestinas que compactuam a mesma vontade cruel de interromper a vida das mulheres no aspecto subjetivo e físico como se estas estivessem geograficamente naquela fábrica da Triangle Shirtwaist em Nova York.
Contudo, na trincheira da resignação, as mulheres conquistaram seus votos na cidadania representativa; assumiram prazer e amor pela suas semelhantes; ensejaram políticas públicas focadas em gênero; clamaram a equiparação salarial e passaram ‘ânus’ de revista vexatória ao visitar seus companheiros aprisionados.
Em dias atuais as mulheres mantêm-se firmes e fortes trançadeiras de raiz, chefiando famílias, lavando as impurezas do mundo, no trabalho doméstico, na socialização de saberes e por último, na linha de frente da tecelagem por um modelo de relações sociais igualitárias e poderosamente revolucionárias.

