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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Receber gentilezas é bom, mas possuir direitos é melhor

Por Talita R da Silva - Blogueiras Feministas

Muita gente acredita que feminista é aquela mulher que não aceita qualquer gentileza advinda do sexo oposto, por considerá-la uma ofensa à sua condição social, mas que, por sua vez, não perde oportunidades de se vitimizar no momento de exigir leis. Por que exigimos leis, ao invés de nos contentarmos com as supostas gentilezas?
As gentilezas, quando bem empregadas, tornam o convívio mais ameno e, geralmente, atuam como um sinal de que um sujeito está preocupado com o bem-estar de outro(s). Pessoalmente, acredito que tornar-se um ser humano mais gentil é um exercício bastante árduo, que podemos e devemos desenvolver. Demanda atenção às necessidades daqueles que nos cercam e disposição para nos mobilizarmos em prol de um bem-estar que não nos atingirá diretamente. Logo, a gentileza indica um caráter mais altruísta, o que é sempre bem-vindo no mundo.
Na comunicação, uma forma de gentileza seria, por exemplo, não assaltar o turno do interlocutor, ou seja, deixar o outro terminar sua fala para, então, posicionar-se. Isso torna a comunicação menos ruidosa, portanto, mais eficaz. No dia a dia, não precisamos seguir manuais de etiqueta para sabermos que o ideal é jamais tentar furar filas, não empurrar as pessoas para ser o primeiro a entrar no vagão do metrô, dar passagem no trânsito, e assim sucessivamente.
Na minha opinião, praticar a gentileza deveria ser encarado como um exercício de respeito mútuo e percepção social. Seria ótimo se todos nós fôssemos capazes de compreender e colocar em prática algumas gentilezas para com aqueles que nos cercam no cotidiano, sejam essas pessoas homens ou mulheres, idosos ou crianças, deficientes ou não. Porque, na verdade, a gentileza deveria caracterizar quem a exerce e não para quem ela é voltada. No entanto, a realidade é que nem todas as pessoas preocupam-se em ser socialmente conscientes. Nem todos enxergam o valor de se tornar uma pessoa mais gentil e por isso, as leis se mostram fundamentais.
Por que gestantes precisam de assentos reservados em transportes públicos e de filas diferenciadas? Isso se faz necessário porque a resistência física de uma gestante não é similar a de mulheres e homens em condições não-excepcionais. Um “encontrão” para uma gestante pode significar a perda do feto. Marcar esse direito não significa oferecer privilégios, mas assegurar que essa mulher receba aquilo que poderia vir como uma gentileza por parte de pessoas com o mínimo de bom senso. Mas, caso a gentileza não se apresente, que a lei se faça valer. O mesmo poderia ser ponderado com relação às leis que punem violências contra a mulher. O idealíssimo seria que pessoas, homens ou mulheres, evitassem se agredir mutuamente sob qualquer aspecto; o ideal seria que homens percebessem que sua força física costuma ser superior a de mulheres, em condições normais, por isso que eles jamais ousassem cometer a covardia de agredir uma mulher. No entanto, a realidade pode diferir disso. Homens espancam mulheres, diariamente, e vários não encerram as sucessivas agressões até que algum mecanismo penal os faça parar ou a vítima venha a óbito. Dessa forma, exigir que leis capazes de intervir sejam promulgadas é um direito do qual não podemos abrir mão.

Não precisamos desse cavalheiro. Precisamos de pessoas conscientes! Imagem: La Belle Dame Sans Merci por Walter Crane (1845 - 1915).
Por outro lado, apoiar leis que beneficiem, principalmente, mulheres pode ser encarado como um grande gesto de gentileza, que muitos homens fazem questão de realizar. Tais atitudes são as que nós, feministas, gostaríamos de enxergar para a construção de um mundo mais democrático. De fato, não precisamos de Lords em seus cavalos brancos, mas seria agradável contar com homens mais gentis, caminhando lado a lado, dividindo as contas e, sobretudo, as responsabilidades sociais.
Por fim, proponho que reflitamos quais gentilezas, realmente, constroem uma sociedade mais altruísta e, feito isso, que invistamos maiores esforços em praticá-las!
Receber gentilezas é bom, mas possuir direitos é melhor!Blogueiras Feministas | Blogueiras Feministas

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O século das mulheres

 A 3ª Conferência teve início com as conferências municipais, a partir de 1º de julho, passando pela fase estadual, e terminará em Brasília, no período de 12 a 15 de dezembro. A Conferência é coordenada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e pelo Conselho Nacional
dos Direitos da Mulher (CNDM), tendo sido convocada pelo Decreto Presidencial de 15 de março de 2011.


A Conferência Nacional de Políticas para Mulheres já é um marco na história da luta das mulheres brasileiras. Esta 3ª Conferência, que vivemos agora em todos os estados brasileiros, faz parte de um processo de transformações que se acelerou no Brasil a partir de 2003, quando foi criadaa Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).
Desde então, vários desafios foram enfrentados. E alcançamos importantes conquistas, como o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, a Lei Maria da Penha e a construção do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.
O desejo de colocar um fim, plenamente, a todas as formas de violência e discriminação contra a mulher atinge hoje um número crescente de brasileiras e brasileiros e permeia diferentes setores de
nossa sociedade.
Estas conquistas só foram possíveis com a participação dos movimentos de mulheres, dos movimentos feministas e da sociedade civil organizada, que trilharam com firmeza os novos caminhos abertos nos últimos anos.
As conferências para as mulheres, que reúnem demandas e propostas nascidas desde os bairros dos municípios mais distantes, são um grande espaço aberto para que se estabeleça o diálogo entre
a sociedade civil e o poder público. É graças a este diálogo e à realização de conferências em todo
o país que temos avançado no fortalecimento dos organismos de políticas para as mulheres. A
institucionalização destas políticas públicas voltadas para as mulheres é essencial para consolidar os
avanços e para que possamos dar novos passos adiante.
Nesta 3ª Conferência avançamos na construção da autonomia das mulheres brasileiras. A autonomia econômica e social das mulheres é o alicerce necessário para a sua efetiva autonomia em todos os setores da vida.
Hoje, as mulheres brasileiras contam com uma conjuntura favorável, única em nossa história, para construção de sua autonomia. Mas a conjuntura favorável não se traduz imediatamente em mudanças. As mudanças só serão efetivas quando conquistadas no cotidiano de nossas vidas. E este
avanço depende de cada uma de nós. De cada mulher em todos os municípios brasileiros.
E são contribuições nesta direção, propostas que ajudem a consolidar a autonomia de todas as mulheres brasileiras, onde quer que estejam, que esperamos destas conferências estaduais e da
Nacional. Estamos criando aqui as propostas para que todas as instâncias de poder do Estado brasileiro reafirmem e ampliem o compromisso com a igualdade entre homens e mulheres em nosso país.
Em seu pronunciamento histórico na ONU, no dia 21 de setembro deste ano, quando pela primeira
vez uma mulher abriu os debates na Assembleia das Nações Unidas, a presidenta Dilma Roussef
afirmou: “Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta que, como eu,
nasceram mulher e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho
certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres”.
Portanto, temos certeza que as mulheres brasileiras organizadas - como demonstraram que estão
durante todo o processo desta 3ª Conferência – deixem também a sua marca na história deste século
."

Iriny Lopes
Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres
Presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher

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